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sexta-feira, 9 de maio de 2025

Criando personagens #1: Beltrão Rolla — O Delegado Cético de Lábrea



Cidade:

Lábrea, Amazonas — Um lugar onde a floresta sussurra segredos antigos e a névoa esconde mais do que árvores.

Profissão:
Delegado de Polícia — Um guardião da razão numa terra onde o real e o impossível se entrelaçam como cipós enforcados.

Personalidade:
Cético, mas com a mente aberta para o inominável. Um homem de pés firmes no solo lamacento da lógica, mas cujos olhos já viram horrores que desafiam toda sanidade. Seu lema:
"Se não posso ver, não significa que não exista."

Histórico:

Beltrão cresceu no coração da selva, onde o vento carrega rumores de almas perdidas e os rios devolvem corpos que nunca foram vivos. Ele entrou para a polícia determinado a desmantelar os mitos que infestam Lábrea, mas a cada caso que recebe, mais próximo fica do abismo entre o delírio e o real.
De cadáveres cujas sombras caminham sozinhas a relatos de criaturas cuja forma ninguém ousa descrever, Beltrão segue anotando — e duvidando. Afinal, quando todos os sentidos falham, o que resta é apenas o eco de um sussurro.

Aparência:
Alto e robusto, ombros largos como troncos de seringueiras. Os olhos são poços escuros, eternamente vigilantes. Veste um camisa polo surrada, calça jeans azul-marinho, cinto marrom combinando com o sapato, carrega no cinto seu coldre armado, mas detesta armas. Nas mãos, um velho caderno encardido, onde anota cada caso, cada pesadelo... e, talvez, seus próprios temores.

Frase de Impacto:
"Toda história tem duas versões. A questão é: qual delas estamos dispostos a acreditar — e qual delas está nos observando de volta?"

Curiosidade:
Beltrão está sempre à caça das mesmas pistas que o repórter Jacino Rego, o cronista do inexplicável. Eles são rivais nas investigações, mas nunca se cruzam. Talvez porque um nunca pode entrar no camiho do outro.



quinta-feira, 8 de maio de 2025

A Importância da Descrição de Cenários em Histórias de Terror

Como Transformar Cenários em Monstros

A casa da bruxa Érica N’gurá — e você não vai querer se aproximar.


Esqueça aquele papo de que o cenário é só um pano de fundo bonitinho. Em histórias de terror, o cenário é aquele parente estranho que aparece na ceia de Natal e você não sabe se ele vai contar uma piada ou arrancar sua pele. É um personagem com alma própria, ainda que a alma esteja apodrecendo em algum porão escuro e esquecido.

domingo, 4 de maio de 2025

Palavras Soturnas e Pó de Livros Velhos: A Linguagem Rebuscada de Quem Já Nasceu Morrendo

Você gosta de frases curtas? Objetividade? Verbo direto ao ponto?

Então talvez este texto não seja para você.


Aqui, vamos abrir um sarcófago literário e desenterrar três autores que jamais mandariam um "oi, sumido" — prefeririam algo como "há muito, no silêncio oblíquo das eras, minha alma exilada ansiava por tua etérea presença..."

Estamos falando de Álvares de Azevedo, Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft: os grandes mestres da linguagem rebuscada, essa arte obscura de escrever como se você estivesse morrendo, apaixonado, tendo uma visão cósmica e folheando um dicionário de 1850 — tudo ao mesmo tempo.

sábado, 3 de maio de 2025

O Terror Depois do Fim: a força dos FINAIS ABERTOS

Onde o monstro não morre — ele só muda de endereço



Todo mundo adora um final feliz. Exceto o terror. O terror prefere finais... inquietos. Nada de explicações detalhadas, lições de moral ou o assassino sendo preso com trilha sonora triunfal. No terror bem feito, a história acaba com um sussurro, não com um ponto final.

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Os Espaços Vazios (ou: o que o silêncio está tramando)

Você já percebeu que, nos contos, nem sempre o que assusta é o monstro? Às vezes, é o parágrafo em branco. O espaço entre duas frases. Aquele momento em que o narrador não descreve o que viu… e você começa a imaginar o pior.



Esses são os espaços vazios — não os do Word, mas os do tipo que sussurra no seu ouvido quando você está sozinho na sala às três da manhã e ouve um cloc vindo da cozinha. (Spoiler: provavelmente foi o vento. Ou não.)

Nos contos, esses vazios são cuidadosamente plantados. São como armadilhas de silêncio. Não dizem nada, mas sugerem tudo. É o autor te entregando uma caixa preta com um bilhete que diz: “melhor não abrir”. E claro, você abre — porque o leitor é curioso e masoquista em igual medida.

Esses espaços não são descuidos. São arquiteturas do pavor. É onde a história respira fundo antes de te empurrar escada abaixo. São os momentos de pausa que te deixam se perguntando: isso foi só uma sombra? Sim. Mas ela te olhou de volta.

E o mais delicioso (ou sádico) é que o terror ali não vem de mostrar, mas de insinuar. O vazio é um convite para o seu cérebro fazer o trabalho sujo. E sejamos honestos: seu cérebro é ótimo nisso. Ele pega um ruído inocente e transforma em entidade ancestral faminta por almas e miojo.

Então, da próxima vez que você estiver lendo um conto e der de cara com um silêncio narrativo, um espaço em branco, um vago “mas algo parecia errado”... não subestime. Pode ser só estilo. Ou pode ser algo olhando pra você do outro lado da página.

Boa leitura. E boa sorte com o barulho na cozinha.




quinta-feira, 10 de abril de 2025

Caronte, o Uber das Almas (e eu querendo uma carona)

 Numa dessas noites insones em que a realidade perde a cor e a internet vira um labirinto de promessas literárias, tropecei — felizmente, não em uma alma penada — no site Seleções Literárias. Um verdadeiro relicário para escribas como eu: apaixonados pela escrita, ligeiramente perturbados e com tendências a ver sombras onde há apenas cortinas mal fechadas.

Foi lá que avistei, cintilando como um farol no nevoeiro do submundo editorial, o concurso “Caronte”, promovido pela sempre provocadora Medusa Editorial. O tema? Uma releitura da travessia final — aquela que todos nós faremos um dia (mas com sorte, não tão cedo). A proposta é simples e deliciosamente macabra:

domingo, 6 de abril de 2025

Criação para o concurso antologia "Lendas Urbanas: E se Forem Reais?"

Certa noite, enquanto me perdia nos recantos mais obscuros da web, tropecei em uma proposta que, confesso, me arrepiou até os ossos. Um concurso de contos de terror, com a possibilidade de ter minha história imortalizada no nostálgico canal WebTV. Os anos 80 e 90 ainda vivem nas sombras do nosso imaginário, e nada mais perfeito para dar um toque de mistério e arrepios.

A descrição do concurso... bom, leia e me diga se você não sente uma leve sensação de desconforto:

"Aposto que você já ouviu alguma. Ficou surpreso? Eu também. Elas estariam no imaginário da população? Ou talvez, muito mais perto do que imaginamos? Às vezes penso que é um mistério... um bom suspense. E você, o que acha? Eu chego a crer que algumas histórias são reais, mas ao serem passadas de boca em boca, ganham uma camada de horrores adicionais. Quem conta um conto... aumenta o ponto."

E quando se fala em "aumentar o ponto", minha mente logo se perde em uma lenda urbana que já visitou os pesadelos de muita gente: A Mulher de Branco na Estrada. Uma história com mil versões, adaptada e distorcida por cada região, mas sempre com um toque de terror universal.

Agora, você me permite dar minha própria versão? Bem, segure-se, porque o que vem por aí é... inesperado.



domingo, 30 de março de 2025

Como se invoca um conto (ou: meu processo criativo em cinco estágios de loucura)

Hoje, corajoso leitor, vou abrir as cortinas empoeiradas do meu porão criativo para revelar, passo a passo, como um conto nasce — ou melhor, como ele rasteja para fora das sombras, babando ideias e soluçando incoerências.

Tudo começou com um sussurro vindo de um edital de concurso. Um tema imposto, como um pacto assinado sem ler as letras miúdas. Aceitei. (Afinal, quem precisa de paz de espírito?)

A primeira sinopse brotou num surto no celular, digitada com os polegares trêmulos no meio da madrugada. Não corrigi os erros de digitação. Eles são relíquias do caos original. Deixei-os lá, como fósseis de um pensamento primitivo — e talvez bêbado.

Depois veio a fase da dissecação: abri o texto em tópicos, dei títulos provisórios (que mais pareciam nomes de feitiços falhados) e fui enxertando ou amputando ideias com a precisão de um cirurgião sonâmbulo.

Na penúltima etapa, escrevi tudo de uma vez, sem freio, sem pudor, sem o menor compromisso com a sanidade ou gramática. Um verdadeiro ritual de possessão literária.

O texto final — aquele que talvez faça algum sentido — ficará para outro post. Por enquanto, fiquem com as entranhas expostas do processo. E cuidado ao ler à noite. Algumas ideias ainda se mexem.

***

Esboço

sexta-feira, 28 de março de 2025

Meu processo criativo

Nos recônditos insondáveis de minha mente febril, reside um impulso irrefreável: escrever (mas nem tanto). Não se trata meramente de um passatempo, mas de um ritual quase profano, no qual invoco imagens, suspiros e horrores de uma dimensão inominável. Quando rabisco minhas histórias, por um instante ilusório, sinto-me liberto das correntes vulgares da realidade, como se pudesse espiar por entre os véus da existência e tocar, com dedos trêmulos, a própria tessitura do divino. O que sinto ao escrever é análogo àquele instante primordial em que Adão, ainda na aurora da criação, percebeu o peso e a glória de ter sido moldado à semelhança de seu Criador—antes de descobrir que o paraíso, assim como a sanidade, é transitório.  

Minha predileção pelo sobrenatural não se dá por acaso. A previsibilidade da realidade me exaspera—esse eterno ciclo de dias medíocres, onde o maior mistério é decidir entre café ou capuccino. Em vez disso, deleito-me com os espaços vazios, os sussurros que não têm fonte e os vultos que espreitam na penumbra. Prefiro narrativas onde a verdade se dissolve como névoa e onde o narrador não é um guia confiável, mas um sobrevivente surrado, um lunático murmurando sua história entre soluços, ou um mero recipiente de uma carta amareladas. Quero que o leitor, ao terminar minha história, não tenha certeza de nada—exceto da inquietante possibilidade de que tudo pode ser verdade.