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sábado, 10 de maio de 2025

Relato onírico 003: A Caçada Inconclusa

Diário de um Vampiro Fora da Lei – A Caçada Inconclusa



Acordei (ou deveria dizer... despertei) de um sonho lúcido tão estranho quanto um crucifixo em festa de Halloween. Eu era um vampiro fora da lei. Sim, eu, caçador das sombras, excomungado pela própria irmandade das trevas, com uma ficha mais suja que cálice de igreja em rave gótica.

quinta-feira, 24 de abril de 2025

Microconto: a cama que era do falecido

Pouco após o entardecer de um dia indistinto, Dona Marinete, já idosa e absorta em recordações que os anos não apagaram, recolheu-se à cama de casal que por décadas compartilhara com o marido falecido. Na solidão do quarto escurecido, onde sombras pareciam mais espessas do que o habitual, adormeceu.

Mas o sono que a tomou não era reparador — era um torpor antigo, profundo, como se viesse de além das estrelas frias ou de sob as raízes esquecidas da Terra. Ela despertou, ou pensou ter despertado, e sentiu algo ao seu lado. Lentamente, virou-se — e ali jazia Seu Torquato.

Sim, ele — o vizinho morto havia mais de vinte anos, cuja presença jamais fora desejada em vida. Agora, imóvel, olhos cerrados, repousava como se jamais houvesse partido. Uma onda de horror sussurrante percorreu-lhe a espinha, não pelo cadáver em si, mas por aquilo que pairava ao redor dele — uma aura de impossibilidade, uma distorção do real.

Com a voz rarefeita por um medo ancestral, ela perguntou:

— O que o senhor está fazendo aqui?

E a resposta veio, sem movimento visível de seus lábios, como se sussurrada por uma entidade através dele:

— Eu só saio daqui... quando outro ocupar este lugar.

O quarto pareceu respirar. Um peso invisível desceu sobre o ambiente. Ela despertou com um grito silencioso na garganta — mas mesmo desperta, algo não estava certo. O lado da cama onde ele estivera parecia afundado, quente, como se algo ali tivesse repousado por horas.

No dia seguinte, sem hesitar, livrou-se da cama. Comprou um colchão de solteiro e passou a dormir num canto do quarto, afastada daquele espaço profano.

Mas nas madrugadas mais escuras, quando o tempo parece parar e o universo se curva sobre si mesmo, Marinete ouve um ranger sutil — como se as tábuas do estrado se lembrassem... como se aquilo que dorme aguardasse.

Aguardasse o próximo.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Relato onírico 002: Doná Diná e a casa das teias monstruosas

Visita Noturna à Mansão de Dona Diná (com um toque de aranhas e passarinhos reféns)



Hoje sonhei que estava de volta à casa de Dona Diná, a avó de dois amigos meus que já partiu dessa para uma bem mais silenciosa (espero). A casa, que já era grande nos nossos tempos de infância, agora parecia um castelo pós-apocalíptico: a fachada com seus três andares altivos e a parte de trás com dois, como se a arquitetura tivesse sido desenhada por um arquiteto indeciso. Cinco casas em uma só, porque né? Quem não quer morar com cinco versões de si mesmo?

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Relato onírico 001: Canibais no Mangue e a Catedral do Delírio

Um Mausoléu Para Meus Sonhos (e Outras Assombrações Pessoais)



Decidi fundar neste blog um mausoléu para os meus sonhos mortos. Aqui, pretendo enterrá-los com a devida pompa fúnebre — talvez até jogando umas flores de vez em quando, na esperança tola de que alguma essência se desprenda dos cadáveres oníricos e possa servir de combustível para meus contos. Ou, quem sabe, só pra não enlouquecer sozinho. (Dizem que escrever é mais barato que terapia, né?)

E, para inaugurar esta sessão necrológica do subconsciente, trago o relato de um dos meus devaneios mais recentes — uma pequena odisseia do absurdo, nascida entre o REM e o reino das trevas: